quinta-feira, 20 de agosto de 2015



eu sonhei com um pôr do sol irritantemente colorido
parei para observar
para respirar
para lembrar de você

sorri segurando sua mão
respirei fundo e agradeci aos deuses 
por aquele momento

eu sonhei que olhava para trás 
para ter certeza que você estava me seguindo

eu afundava meus pés na areia
que eram lavados pelo mar

eu caía no seu colo
sentindo suas mãos me apertando

ali desejei não ser mais humano

quinta-feira, 19 de março de 2015

eu

Eu sou um rastro no mundo.
Sou apenas o pedaço de inúmeras histórias que se cruzam
mas não se misturam.
Eu sou o que a vida escolheu de mim
e sou o que exigi dela.

Sou ponto fraco da calha e alicerce do inevitável.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vila Madalena, 7pm

Eu os observei virarem a esquina e virem na minha direção. 
Do ponto de ônibus, contei cada passo dado dela, sempre sob o olhar cuidadoso dele.
Caminhavam tão lentamente. Como se a vida não tivesse mais pressa. Como se o tempo os aguardasse em algum lugar.

As mão dele, marcadas pela velhice, pousavam sobre as costas curvadas e a cintura dela.
Ela me olhou nos olhos. Tentei sorrir mas admiração me consumia.
Tentava decifrar os anos de casados deles. O que eles passaram juntos. O quanto ele fez diferença na vida dela e o quanto ela o amparou nesse caminho. 

Quantos abraços trocados, quantas brigas. 
Quantas situações embaraçosas eles já dividiram.
Quantos passos eles já deram um ao lado do outro.

Ainda não estão nem na metade do caminho.
Passem logo que meu ônibus vai chegar.

Ele tropeçou e ela sorriu tentando apoiá-lo. Fiquei atento.
Eles continuaram caminhando até começarem a me olhar.
Mexi no celular. 
Vi o quanto a vida corria ali na tela enquanto eles caminhavam naqueles passos tão lentos e descompassados.

Chegaram ao meu lado. Ela sorriu me olhando. Sorri de volta.
Continuaram caminhando tão devagar que era possível ouvir o barulho do calçado sobre as pedras.

Ainda abraçados e totalmente alheios a correria que os cercavam, viraram a outra esquina.

Entendi ali que o amor é se dividir para se multiplicar no outro.

Meu ônibus chegou.

Sabia de quase tudo

Ele ficava sentado no banco da praça te observando passar.
Sabia da tua vida, dos teus amores, do trabalho, de quando você chegou.
Sabia do seu tempo perdido e do tempo que você ainda procurava perder.

Só não sabia de você.

Te procurar o afastava ainda mais.
Te perdia a cada passo dado em sua direção.

Não tinha medo que você sumisse, mas tinha medo que você o apagasse.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Essa cidade

Essa cidade grita
o que tem dentro de mim.
Essa cidade grita
o que eu deixei passar,
grita os meus anseios
meu sossego, meu passado.
Essa cidade grita
aquilo que eu não consigo mais calar.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Mas que coisa!

Existe alguma coisa em alguém.
Alguma coisa que ninguém sabe explicar.
Ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai.
Mas a gente sabe e sente que é essa coisa que faz
a gente parar de ir para qualquer lugar.

Parar para pensar em tudo que já fez ou em tudo que um dia planejou fazer.
Sabe o que é alguém que, na maioria das vezes, do nada, chega e te faz parar para refletir sobre tudo que você já fez na vida?
Talvez seja exagero. Engano. Loucura.
Talvez seja a lua que se alinhou com a puta que pariu.
Ou talvez seja alguma coisa que chegou para tirar o teu sossego e ao mesmo tempo te trazer uma paz que você jamais pensou que existia.
E esse sossego e essa paz juntos farão você ver que seus problemas não eram tão barra assim.

Não sabemos onde esse alguém conseguiu essa coisa, o porquê isso nos afeta e onde vai parar. Mas sabemos que isso nos marcará para sempre. De uma forma boa ou não.

vdds

não há mal nenhum
em ir embora
mas existe um grande pecado
em ficar por cautela.